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sexta-feira, 15 de junho de 2012


Há quem se sinta humilhado ou ressentido se algo que domina
e de que se orgulha é desvalorizado porque foi questionado.
Por mais compreensível, porém, que seja o ressentimento
assim gerado, a desfamiliarização pode ter benefícios evidentes.
Pode em especial abrir novas e insuspeitadas possibilidades de
conviver com mais consciência de si, mais compreensão do que
nos cerca em termos de um eu mais completo, de seu conhecimento
social e talvez também com mais liberdade e controle.
(BAUMAN, Zygmunt; MAY, Tim. Aprendendo a pensar com a Sociologia. Rio de Janeiro: Zahar, 2010, p.25)

domingo, 12 de fevereiro de 2012

Se você não decidir, decidirão por você

Acredito que cada um de nós somos muitos, e cada indivíduo que nos compõe não age, necessariamente, em um determinado momento separadamente dos outros. Talvez essa minha proposição seja um tanto quanto complicada de se entender, visto que fomos sempre orientados a entendermo-nos como seres únicos. E é bem verdade, somos únicos, mas não ‘os únicos’. O que eu quero dizer, na verdade, é que existem muito mais coisas que participam de nossa formação como pessoa do que supomos e isso implica, inevitavelmente, em nossas atitudes como tal. As diversas formas de pensamento (moral, religioso, político), o contexto histórico no qual estamos inseridos, os conselhos e atitudes paternos e maternos, etc, sem dúvida alguma, somados às nossas experiências práticas de vida, formam um sistema complexo que norteiam nossas atitudes e decisões. Pelo menos é dessa forma que eu entendo. Mas como não sou profissional, nem estudioso da ciência da psique, devo dizer que estaria sendo prepotente em continuar a discorrer mais profundamente sobre tal assunto, até porque essa nem é a minha proposta ao me colocar a digitar essas palavras.
O que eu queria concluir mesmo, com isso, é que, chega uma hora, que todas essas informações, muitas vezes controversas entre si, e que compõem nossa formação, devem reunir-se em “um grande concílio ecumênico” para ponderar acerca de algumas decisões importantes e inadiáveis (ou então não mais adiáveis). Deve-se deliberar-se de forma que objetive alcançar, com todo o esforço possível, os sonhos e utopias, ou então a mente vai ficar eternamente patinando no barro da indecisão.
Se isso ainda não aconteceu com você, fique tranqüilo, chegará um momento em que você deparar-se-á com tal situação e, antes mesmo de ficar louco (eu garanto!) você será obrigado a colocar tudo o que você deseja em uma ordem de prioridade. E isso aconteceu ou está acontecendo comigo. Estou reafirmando minhas prioridades, não apenas no que diz respeito às coisas que eu desejo, mas também a pessoas que me cercam.
Talvez de agora pra frente tudo seja diferente.

quinta-feira, 24 de novembro de 2011

SOCIOLOGIA E FILOSOFIA NA FORMAÇÃO CIDADÃ

Depois de inúmeros discursos reiterando a importância da educação para o desenvolvimento de um país, poucos são os capazes de questionar esse fato. Evidentemente, a educação desempenha um papel moldador da sociedade, mas isso não é necessariamente benefício à população, afinal, a educação é um instrumento o qual pode ser utilizado em prol dos interesses de quem a maneja, servindo assim como ferramenta na perpetuação de uma ordem vigente dominadora e elitista. E nesse ínterim, a sociologia e a filosofia surgem como um diferencial, propondo mais do que a reprodução de um discurso dominante, mas uma crítica ao que foi estabelecido.
Torna-se relevante apontar que durante ao período da ditadura militar no Brasil as disciplinas de filosofia e sociologia foram retiradas do currículo escolar e alguns professores dessas matérias foram cassados. Os militares defenderam um modelo educacional caracterizado pelo tecnicismo, cujo maior objetivo era impedir o florescimento do espírito crítico e qualquer chance de contestação da ordem vigente. Somente nos últimos anos a filosofia e a sociologia retornaram ao currículo escolar, num primeiro momento como matérias optativas e depois, bem mais tarde, em 2008, como disciplina obrigatória no ensino médio.
Um problema significativo enfrentado atualmente é que, embora essas disciplinas tenham retornado ao currículo escolar, elas são ministradas de forma pouco eficiente. Como conseqüência do período no qual houve um banimento da sociologia e da filosofia nas escolas, os profissionais qualificados para lecionar essas disciplinas são escassos e, frequentemente, os professores encontrados ministrando essas aulas são formados em áreas diversas das exigidas para um bom filósofo ou sociólogo. Mesmo que se esqueça o despreparo de muitos professores de filosofia e sociologia, ainda permaneceria o problema da falta de material adequado para o aprendizado, pois, quando muito, os alunos e professores precisam contentar-se com apostilas de baixa qualidade e que pouco ajudam no real aprendizado de filosofia e sociologia.
A involução causada pela ausência de  filosofia e sociologia nas escolas durante o período militar e mesmo após é risível e facilmente visível. Ora, há mesmo uma quantidade considerável de universitários que não vêem utilidade alguma para a filosofia e a sociologia, por isso, as consideram como disciplinas meramente decorativas, perfumarias. Por pertencerem ao pequeno grupo que passou por todo um processo nas escolas e chegou ao ensino superior, era para se esperar que, pelo menos, os universitários conseguissem enxergar o papel fundamental desempenhado pela filosofia e sociologia na formação cidadã.
Faz parte de ser cidadão, ter direitos e deveres políticos e sociais e desempenhá-los da melhor maneira possível. Para o exercício da cidadania, não basta chamar-se cidadão, é preciso pensar conscientemente sobre a sociedade, a política e tudo o que possa ser relevante para o firmamento da democracia de fato. De nada adianta viver em uma democracia se a sociedade for alienada e não praticar a cidadania, pois, nesse caso, a população seria uma massa manipulável a mercê dos interesses egoístas da classe dominante. É nesse contexto no qual se inserem a filosofia e a sociologia como um alicerce para a construção do homem cidadão.
Patrícia Rodrigues Silva e
Paula Lemos de Paula

quinta-feira, 20 de outubro de 2011

TRANSCENDENTALIDADE DO EXERCÍCIO DA PALAVRA

Apesar de toda a instrução que tive no ensino básico a respeito de como redigir um bom texto, apesar daquelas infinitas redações que somos obrigados a fazer para que fique bem esclarecido o que é e qual a função daquilo que estamos escrevendo, ainda me pergunto: qual será o segredo exato para se redigir um bom texto que, mesmo não convencendo grandes números, possa, minimamente, causar a admiração de quem lê?
Você pode me dizer que as técnicas, regras ou “macetes” outrora ensinados pela singela professora do ensino médio é a fonte onde posso encontrar resposta para essa minha pergunta, mas, acredito eu que não seja tão simples assim como se pensa, visto que mesmo utilizando-se destas com grande fidelidade, quase religiosamente, ainda assim as coisas que escrevo não saem tão perfeitas quanto gostaria e pretendia ao debruçar-me sobre o teclado do notbook ou sobre uma folha de papel.
Me parece haver alguma coisa de transcendental em escrever. Algo que depende muito, não apenas da minha disponibilidade, mas também e acima de tudo do meu estado de espírito.
Não sou muito de ficar mistificando as coisas, mas por experiência e por conhecimento de causa sou obrigado a acreditar nessa possibilidade. Isso principalmente quando me ponho a querer escrever alguma coisa para o meu blog, que há meses se encontra desatualizado – e quando é atualizado é por postagens que não são de minha autoria – ou quando tenho que redigir algum trabalho da graduação.
Eu, por acreditar ser um vocacionado ao exercício da palavra, escolhi como graduação um dos cursos mais teóricos que se possa existir, e hoje vejo que não sou tão bom com as palavras quanto outrora pensava. Não quero dizer aqui que não soube optar pelo curso melhor me satisfaria, pelo contrário, gosto das ciências sociais e acredito mesmo ser esse meu rumo no que diz respeito à carreira profissional, no entanto penso que poderia ter um melhor dom com as palavras.
Deve haver algum mistério em escrever. E este ainda, apesar de todas as poesias já lidas, não consegui decifrar.
Com este texto, gostaria de me redimir com os decepcionados leitores do blog Proteja-se e Lute, que, há tempos, não são presenteados com uma bobagem nova e com os meus professores, pois, findando este ano letivo, percebo o quanto deixei a desejar na busca de desvendar essa misteriosa transcendentalidade e assim me relacionar mais intimamente com o exercício da palavra, principal arma das ciências sociais.

por Gustavo Pelais

quarta-feira, 19 de outubro de 2011

IBGE aponta falta de rede de esgoto em quase metade dos municípios




Pesquisa divulgada nesta quarta-feira pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) mostra quequase metade (44,8%) dos municípios brasileiros não tinha rede coletora de esgoto em 2008.
As diferenças regionais, porém, são grandes: enquanto no Estado de São Paulo apenas Itapura estava nessa situação, na região Norte as cidades sem o serviço chegavam a 96,5% do total.Os dados consideram apenas a existência ou não da rede coletora, e não a abrangência de cobertura dentro de cada município - ou seja, mesmo que vários bairros de uma cidade não sejam atendidos pelo serviço, ela pode figurar na lista se a coleta for feita em parte de seu território.Além disso, a pesquisa mostra que a coleta não é acompanhada na mesma proporção pelo tratamento do esgoto. Do total coletado, apenas 68,8% passa por estações de tratamento antes de ser descartado.Nesse quesito, mais uma vez, é possível notar grandes diferenças regionais. Em São Paulo, 78,4% dos municípios processam ao menos parte do esgoto gerado. No Maranhão, esse percentual cai para apenas 1,4%.Em parte dos municípios do país que não têm rede de esgoto, porém, é possível encontrar soluções alternativas, como a fossa séptica (dispositivo do tipo câmara que é isolado do solo e faz a filtragem do dejeto). É o caso, por exemplo, de vários municípios gaúchos.

Além disso, os dados mostram uma melhora em relação à pesquisa anterior, de 2000. Naquele ano, a parcela de municípios sem rede coletora de esgoto era de 47,8%.


Fonte: FOLHA.COM - 19/10/2011 - 10h00 - Internet: http://www1.folha.uol.com.br/cotidiano/992875-ibge-aponta-falta-de-rede-de-esgoto-em-quase-metade-dos-municipios.shtml

quinta-feira, 5 de maio de 2011

Liberdade sem controle = "excesso de servidão"

"Sócrates: Deste modo o excesso de liberdade conduz a um excesso de servidão, tanto no indivíduo quanto no Estado."
Platão - A República

É inegável que em um regime democrático seja mais efetiva e eficaz a atuação dos mais diversos setores da sociedade. Assim, pelo menos, deveria ser na prática, visto que, teoricamente, a democracia garante "vez e voz" à todos.
Acontece que, havendo dentro desta sociedade classes e setores notavelmente mais poderosas do ponto de vista econômico e social, as classes desfavorecidas acabam sendo manipuladas por estas em uma estreita relação de poder.
Quando o Estado concede "liberdade plena" ao indivíduo e às classes, deixando que estes mesmos, ao seu bel prazer, deliberem e conduzam como julgarem conveniente aos seus interesses, este acaba por não cumprir a missão que lhe é de direito, visto que é função do Estado controlar a sociedade com o intuito de que os mais influentes e poderosos não imperem sobre os menos favorecidos e desprovidos de poder.
Não se trata aqui de afirmar que um governo ditador, que subtrai a liberdade da população, seja a melhor opção. Trata-se de afirmar que o controle social exercido pelo Estado seja a melhor forma de garantir liberdade a todos e não liberdade a uns e servidão a outros.

Gustavo Pelais

sábado, 30 de abril de 2011

EU, TU E TODOS NO MUNDO...


NO FUNDO, TEMEMOS POR NOSSO FUTURO
EU E TODOS OS SANTOS, VALEI-NOS
LIVRAI-NOS DESSE TEMPO ESCURO.


 

(Cidade Negra e Me. Gilberto Gil)